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:: Água Mineral - Gênese e Mineralização

A água mineral é uma água natural que participa do ciclo hidrológico como todos os outros tipos. Difere das águas ditas comuns pelas características químicas, físicas, físico-químicas e biológicas, sendo um tipo particular de água subterrânea.

Para o entendimento da mineralização das águas e da gênese das fontes é importante a compreensão do fluxo subterrâneo. Os fenômenos ocorrentes com a água se manifestam em ambientes geológicos, onde circulam no interior das formações rochosas as mais variadas. Na realidade a água circula sempre através de todos os vazios (poros, fendas e fissuras) durante todo ano. A direção do movimento da água é determinada pela estrutura interna das rochas e a situação das zonas de surgência, às vezes muito longe das zonas de recarga (precipitação).

No Brasil, o surgimento de fontes está condicionado a áreas de grandes dobramentos e de falhamentos nas bordas das áreas cratônicas e das bacias sedimentares (formação de montanhas), e também nas áreas onde houve reflexos dos processos tectônicos que afetaram o embasamento cristalino dobrado. Nestas regiões onde se verificam um tectonismo bastante intenso, Serras da Mantiqueira e do Mar na região Sudeste por exemplo, existem estruturas que permitem a circulação de água e descarga na forma de fontes, sendo que nestas mesmas regiões situa-se o maior número de indústrias envasadoras de água mineral.

Sendo a água mineral um tipo especial de água subterrânea admite-se portanto, que sua origem e mineralização está intimamente ligada com a infiltração da água de chuva e sua circulação nos perfis geológicos. É no solo onde acontece as maiores modificações químicas da água das chuvas, principalmente quando ela atravessa uma zona biologicamente ativa.

A água que chega ao fluxo subterrâneo não escapa definitivamente ao ciclo hidrológico terrestre, porquanto regressa ao oceano, ainda que muito lentamente. Ela pode tanto chegar a um lago e evaporar-se novamente, como brotar de uma fonte e aderir ao movimento de um curso de água superficial. Ao final misturando-se com as águas do oceano, pode-se dizer que o ciclo se completou. Na verdade esse ciclo se renova incessantemente. O volume de água existente na terra desde sua formação, permanece essencialmente o mesmo. As moléculas de águas em que se banharam nossos antepassados continuam flutuando ainda hoje em algum oceano, lago, rio ou circulando no interior da terra.

A água filtrada no solo lentamente encontra alguns minerais que são solúveis pelo ácido carbônico que é derivado da reação do CO2 com água da chuva. O ácido é consumido na reação mineral- água e mais CO2 é gerado pela matéria orgânica e dissolvido pela água de infiltração. Neste processo o ácido carbônico dissolverá todo o material solúvel do solo e grande quantidade desse ácido poderá promover mais reações e contribuir para a mineralização da água quando esta alcançar a rocha.

A alteração e dissolução das rochas pela água de infiltração é realizada em conjunto com os ácidos e produtos orgânicos derivados do solo. O grau de atividade depende da concentração das soluções, da temperatura, da pressão de CO2 e, da presença de bactérias. Quando a água circula por diferentes terrenos, sua composição química em um ponto determinado não só está influenciada pela rocha onde surge mas também pelos outros tipos atravessados anteriormente.