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A problemática que envolve a captação e proteção de fontes naturais e as questões relacionadas com vazão e qualidade da água para o abastecimento de unidades envasadoras vêm renegando atualmente as surgências naturais à um segundo plano de interesse diante da intensa transformação e desenvolvimento do setor no Brasil, tornando a captação da água subterrânea através de poços "artesianos" como a derradeira solução para a crescente demanda por maiores vazões.

Esta água, armazenada num reservatório subterrâneo natural, acumula-se através de anos ou mesmo de séculos, sendo o seu reabastecimento contínuo e natural. A alegação de que estas águas apresentam alto grau de pureza, isentas de contaminação, maiores vazões e uma captação mais econômica e segura, não sendo suscetíveis às influências antrópicas, está fazendo com que inúmeras indústrias, principalmente as em fase de pesquisa e instalação, optem por este tipo de captação em detrimento, em muitos casos, de boas surgências naturais. Mas, e quanto à qualidade destas águas, principalmente no que diz respeito ao paladar e à aceitabilidade pelos consumidores ? Neste caso, as empresas já estruturadas no setor estão sentindo mais o aspecto da despadronização da água e a conseqüente rejeição, devido a diferença química entre as águas.

Há cerca de 30 anos uma vazão de 4.000 litros/hora era mais do que suficiente para abastecimento da grande maioria das unidades envasadoras de água mineral no Brasil e esta quantidade era totalmente obtida de nascentes ou "minas d'água", sendo águas de extrema leveza sem contra indicação para consumo e que até hoje identificam-se com os consumidores habituais de água engarrafada. Atualmente fala-se em vazões mínimas da ordem de 20.000 litros/hora, e os 4.000 litros gastam-se somente na rinsagem de embalagens descartáveis, de uma linha de envase, por exemplo.

No que diz respeito à sobrevivência de uma empresa em relação à disponibilidade de sua matéria-prima, sem dúvida, a captação por poços tubulares (artesianos) é a grande chance de resolver os problemas relacionados com a quantidade. Mas como ficam as fontes naturais? E a qualidade?

A água mineral é uma água natural que participa do ciclo hidrológico como todos os outros tipos. Difere das águas ditas comuns pelas características químicas, físicas, físico-químicas e biológicas, sendo um tipo particular de água subterrânea.

A água que chega ao fluxo subterrâneo não escapa definitivamente ao ciclo hidrológico terrestre, porquanto regressa ao oceano, ainda que muito lentamente. Ela pode tanto chegar a um lago e evaporar-se novamente, como brotar de uma fonte e aderir ao movimento de um curso de água superficial. Ao final misturando-se com as águas do oceano, pode-se dizer que ciclo se completou. Na verdade esse ciclo se renova incessantemente. O volume de água existente na terra desde sua formação é essencialmente o mesmo. As moléculas de água em que se banharam nossos antepassados continuam flutuando ainda hoje em algum oceano, lago, rio ou circulando no interior da terra.

ÁGUAS PROFUNDAS

No Brasil, o surgimento de fontes está condicionado a áreas de grandes dobramentos e de falhamentos nas bordas das áreas cratônicas e das bacias sedimentares (formação de montanhas), e também das áreas onde houve reflexos dos processos tectônicos que afetaram o embasamento cristalino dobrado. Nestas regiões, onde se verifica um tectonismo bastante intenso, Serra da Mantiqueira e Serra do Mar na região Sudeste, por exemplo, existem estruturas que permitem a circulação de água e descarga na forma de fontes, sendo que nestas mesmas regiões situa-se o maior número de indústrias envasadoras de água mineral.

No entanto, nota-se que cada vez mais as empresas estão buscando as águas subterrâneas profundas em detrimento das águas mais superficiais de nascentes. Mas, na grande maioria dos casos o padrão da água é alterado tendo em vista o enriquecimento de sais de águas mais profundas, principalmente o bicarbonato, concorrendo para a perda de identidade da marca, em muitos casos.

Por outro lado, em muitos estudos para implantação de plantas envasadoras, boas surgências naturais são descartadas em virtude da alegada complexibilidade em captá-las, vulnerabilidade às contaminações, e diante da simplicidade da perfuração de um poço artesiano.

Ao geólogo cabe entender a gênese de uma fonte e projetar sua captação e proteção de maneira a assegurar um controle de vazão definido e a qualidade da água, tomando todas as medidas necessárias para conservar as características naturais da surgência. O estudo genético de uma fonte recai no conhecimento das zonas de infiltração (recarga), deduzindo-se com lógica o escoamento e circulação da água até a surgência, levando-se em consideração os aspectos estruturais, topográficos e hidrogeológicos.

Os trabalhos de captação e proteção de uma surgência natural envolvem, em muitos casos, escavações mistas com auxílio de tratores e escavadeiras, e também a utilização de explosivos conforme o caso, com o objetivo de alcançar uma feição do terreno que permita desenvolver o projeto ideal. A movimentação de terra e rocha pode alcançar grandes volumes e demandar algumas semanas e até meses para a conclusão dos serviços, sendo este talvez o grande inconveniente.

Após 15 anos de trabalhos e cerca de 80 surgências captadas, a técnica de captação e os procedimentos desenvolvidos com a implementação dos captadores em inox permitem atualmente um grande rebaixamento da cava de pré-captação e uma considerável redução no tempo de trabalho, promovendo também uma garantia contra eventuais infiltrações de águas indesejadas (chuvas etc.), o que é temeroso quando das captações através de caixas azulejadas que geralmente são muito superficiais, e um incremento na vazão final, às vezes considerável.

Levando em consideração que cada fonte é uma história diferente, após dezenas de experiências, atualmente permite-se criar várias situações para a efetivação de captação tanto em terrenos cristalinos quanto em regiões sedimentares através dos captores inox.

A utilização do aço inoxidável possibilita uma ampla e variada gama de tipos e formas dos tubulões captadores, com grande vantagem na higienização e desinfecção de fontes, e na moldagem com o terreno aflorante.

Conclui-se que, salvo condições naturais adversas de áreas de proteção e as diminuídas vazões, as fontes naturais devam ser melhor estudadas e avaliadas antes da decisão de uma perfuração mecânica.

Preparação da rocha para receber o tubo
captador em aço inoxidável

Tubos captadores em aço inoxidável

Escavação para expor a rocha e identificar a surgência.

Captação da água sem nenhum contato manual ou com o ambiente externo.