" "

Principal

:: A Empresa
:: Clientes
:: Contato
Canais
:: Água Mineral
:: Comércio Exterior
:: Fontes Naturais
:: Poços Profundos
:: Turismo e Água
Destaques
:: Acquamagna Fórum
:: Eventos
:: Galeria de Fotos
:: Saúde
Apoio

:: POÇOS PROFUNDOS

PERFURAÇÃO ALEATÓRIA APRESENTA RISCOS E DESVANTAGEM
Fonte: Revista Engarrafador Moderno - mar/abr 97

A água ocorrente no subsolo é uma fonte imprescindível de abastecimento nos dias de hoje no mundo inteiro. Mesmo em locais de clima e geologia favoráveis ao acúmulo superficial, como nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, a importância da água subterrânea emerge em períodos críticos de secas, por problemas de poluição ou contaminação, quando os recursos superficiais não conseguem atender a demanda.

O setor de bebidas em geral, onde incluem-se as águas minerais, vem acumulando diversas experiências em captação e uso de águas subterrâneas, especialmente as profundas, que otimizam a extração no que se refere à qualidade e volume, com vazões definidas e constantes mesmo em períodos críticos (secos). Esses fatores são importantes para o planejamento das unidades engarrafadoras e projetos de expansão.

A detecção e caracterização de aquíferos profundos não é um problema de solução trivial. São poucas as empresas que alocam recursos para investigações hidrogeológicas e esse tipo de pesquisa além de ser determinante na locação de futuros poços, permite que se avalie e caracterize os aquíferos superficial e profundo, permitindo assim a avaliação do potencial hídrico de toda a área de interesse, fornecendo dados para os projetos dos poços com perfurações adequadas aos aquíferos, minimizando os custos e otimizando as vazões a serem obtidas e até mesmo a vida útil do aquífero. São aqui ainda obtidos dados no que se refere a área de proteção do aquífero, no que concerne ao seu reabastecimento e a eventuais contaminações.

O estudo hidrogeológico, de uma maneira geral, pode ser subdividido em etapas distintas: pesquisa bibliográfica e exame de fotografias aéreas, coleta de dados geológicos de campo e levantamentos geofísicos normalmente à base de métodos elétricos, que são determinantes na locação final dos poços e caracterização do perfil geológico a ser perfurado.

No que se refere aos custos, todo o estudo pode ser considerado como barato, se comparado à abertura de um poço que, perfurado aleatoriamente, não permite avaliar o potencial da área e, muitas vezes, pode se mostrar seco ou com pouca água, especialmente em se tratando de locais constituídos por rochas cristalinas (granitos, gnaisses, migmatitos etc.), onde a água só é encontrada em fendas ou fissuras do maciço rochoso.

Outros estudos podem ser desenvolvidos a partir de uma integração da geologia estrutural em várias escalas, da litologia, mecânica das rochas aplicada (hidrogeotecnia), geofísica e hidrogeologia visando obter um modelo que interprete o mecanismo do fluxo e armazenamento de água nos meios fissurados, objetivando a exploração para consumo humano e industrial.

A locação de um poço é tarefa de muita responsabilidade pois dela dependerá em grande parte o sucesso da perfuração, e mesmo a viabilidade de um novo empreendimento.

Cabe salientar finalmente que o estudo geológico/geofísico, minimiza os riscos, não eliminando-os, pois os métodos embora eficientes, são indiretos, e como se sabe a natureza pode sempre apresentar surpresas. De qualquer modo o conhecimento da área a ser estudada é fundamental, mesmo para o caso de ser descartada.

MÉTODOS GEOFÍSICOS PARA PROSPECÇÃO DE ÁGUA SUBTERRÂNEA

A aplicação de métodos geofísicos para detecção de aquíferos de ser precedida por uma análise do mapa planialtimétrico da região, como o objetivo de verificar a situação do relevo, diferenças de cotas, alinhamentos regionais e a associação com a rede de drenagem. Também deve ser feita uma análise de um mapa geológico para verificar as litologias que ocorrem na área, os lineamentos estruturais primários (xistosidade, estratificação etc.) e secundários (fraturar, falhas etc.). Dessa forma é possível estabelecer as relações entre a litologia, as estruturas, o relevo e a hidrografia. Em seguida, faz-se uma fotointerpretação geológica, para melhor visualizar a interação dos aspectos hidromorfológicos. Finalmente uma visita de campo é necessária para a análise dos pontos selecionados ou "áreas alvo", identificados pela interação de todos esses estudos.

Os métodos geofísicos mais comumente utilizados na prospecção de águas subterrâneas são os eletroresistivimétricos e o VLF (Very Low Frequency). O primeiro consiste na observação e análise do comportamento em profundidade de uma corrente elétrica transmitida ao terreno, através de um aparelho chamado resistivímetro. O aparelho mede a resistividade em diversas profundidades, o que permitirá prever a presença de água no subsolo. A medição das grandezas variáveis é efetuada ao longo de perfis isolados ou dispostos em malha poligonal. O resultado das medições é apresentado através de seções (caminhamento elétrico) e perfis individuais (sondagens elétricas).

O "VLF" constitui um método eletromagnético passivo e direto, que mede o campo eletromagnético secundário gerado quando as ondas primárias, emitidas por emissoras militares da marinha americana, interceptam estruturas geológicas do tipo falha ou fratura ocorrentes na área a ser investigada. Na hidrogeologia, o "VLF" é empregado numa fase preliminar de estudos, justamente para detectar as estruturas secundárias em rochas competentes superficialmente.

Para se ter uma idéia de economia de tempo e de custo que resulta da aplicação de métodos geofísicos na procura de água subterrânea, basta citar que a pesquisa numa área de interesse de 50 hectares exige de 1 a 3 dias de campo, cerca de 30% do custo de uma perfuração mecânica, com diminuição dos riscos de se obter um poço seco ou de baixa produtividade, sendo que os estudos fornecem ainda, sempre um melhor conhecimento da área, para perfurações de novos poços objetivando ampliações futuras.

É necessário frisar que a prospecção da água subterrânea é antes de tudo um problema de geologia. Os métodos geofísicos não fornecem senão aspectos litológicos e estruturais do subsolo na área pesquisada. É preciso ampla cooperação entre o hidrogeologia e o geofísico para levar a bom termo uma campanha de tal natureza.

Para o setor de águas minerais no Brasil, tais investigações hidrogeológicas podem ter uma conotação muito ampla, principalmente na definição de zonas de recarga dos aqüíferos, o comprometimento destas e o estabelecimento das áreas de proteção. Sem dúvida, é a profissionalização que o setor vem atravessando, principalmente nesta década, para um melhor entendimento de sua única matéria-prima.